quinta-feira, 21 de julho de 2011

Um anjo ao meu lado

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Um anjo ao meu lado

Estava voltando para casa, caminhando lentamente, pensando em meus problemas. Não conseguia entender como meus pais brigavam tanto por causa de dinheiro, eu sei que a situação estava difícil, e a mensalidade da minha escola não era nada barata.

Já estava escuro, e eu carregava uma sacola de compras em cada mão. De repente, quando virei a esquina, um homem trombou em mim e puxou uma das sacolas, sacola de comida que comprei com o resto de dinheiro que meus pais tinham.

-Ei! –Reclamei automaticamente.

Ele tirou uma 0.32 e colocou na minha cabeça.

-Ei, o quê? Passa as sacolas e a carteira.

-Não tenho dinheiro, só documentos.

-Mentira! Passa a carteira!

Entreguei as sacolas e a carteira, meu coração afundou de tristeza. Quando ele percebeu que realmente não havia dinheiro, olhou irritado para mim.

-Sua pobre! Se não tem dinheiro, vai ter que pagar com o corpo!

-Não! Deus, por favor, me deixe ir.

Ele jogou as minhas coisas no chão, agarrou o meu cabelo, me jogou contra a parede e começou a abrir o seu zíper.

Meus olhos lacrimejaram, olhei para a Lua, brilhava majestosamente, e seria a única testemunha do horror que me esperava. Silenciosamente, enquanto ele abaixava a minha calça, rezei para a Lua, minha companheira de tantas outras noites, que me protegesse dessa vez também.

Quando esse bruto homem estava quase me violando, a Lua foi encoberta por nuvens e a rua ficou um breu total, todas as luzes se apagaram, e o homem me soltou com um gemido.

Lembro apenas de levantar a minha calça e correr desesperadamente até em casa, e chorar no meu quarto até de madrugada.

No dia seguinte, após contar a história aos meus pais, eles me levaram até a delegacia. Ao chegarmos lá, descobrimos que o assaltante havia sido preso, que uma testemunha chamara a polícia e que o encontraram desmaiado.

Agora, todos os dias eu voltava para casa enquanto ainda estava claro, ou alguém me acompanhava. E meus pais pararam de brigar o tempo todo por causa de dinheiro, eles estavam felizes por nada de muito sério ter acontecido comigo.

Eu estava com medo e traumatizada.

Todos os dias eu encontrava um garoto de uns dezessete anos encostado na parede, na mesma esquina onde fui atacada. Comecei a pensar que ele estava me vigiando, que se vingaria de mim ou que também me atacaria.

Um dia, passei por ali sozinha à noite, uma exceção. Em vez dos passos lentos de outrora, os meus passos eram apressados, urgentes, cautelosos. E a Lua... estava maravilhosa essa noite!

Ao passar pela esquina, com o coração aflito reparei que o garoto admirava a Lua. O seu rosto, já tão conheci por mim, estava angelical, um semblante calmo. Não sei por que naquele momento parei ao seu lado e comentei:

-A Lua é tão linda, não é mesmo?

-A Lua é maravilhosa. –Ele respondeu sorrindo. –Achei que nunca falaria comigo.

-Você estava me esperando? –Perguntei, ficando aflita.

-Não se aflija. Não lhe farei nenhum mal, Rafaela.

-Como sabe o meu nome? –Perguntei espantada.

-Porque te conheço. E a Lua brilhava tão linda como hoje, no dia em que você nasceu.

-Do que você está falando? Quem é você?

Ele sorriu novamente.

-Eu sou o seu anjo da guarda. Fui enviado para cuidar sempre de você.

-Cuidar de mim? Aonde você estava quando fui atacada? –Perguntei irritada.

-Eu estava aqui.

-Mas...

-Eu te salvei.

-Como?

-Eu escureci tudo, eu o apaguei. Fiz tudo aquilo. Eu te dei a oportunidade de fugir, e fui eu quem o denunciou para a polícia.

-Mas por que não o impediu?

-Porque a vida é a vida. Ninguém sabe o futuro, nem você, nem eu. A vida é feita de escolhas, sejam elas boas ou ruins. A escolha dele foi ruim, mas você também fez uma má escolha.

-Qual?

-Você se deixou traumatizar. Nem todos são maus, você pode desconfiar das pessoas, mas não fazer disso uma regra, nem todos querem machucá-la. E se continuar assim, sua vida acabará agora. A sua doce personalidade se transformará em uma personalidade rancorosa e amarga. Você irá parar de aproveitar a vida, de apreciar cada detalhe dela, de ver a beleza das simples coisas que te rodeiam. Você parou para falar comigo hoje, você encarou o seu medo! E mesmo aflita, você sentiu segurança, não sentiu?

-Sim, lá no fundo eu achei que você não me faria mal algum.

-Exatamente. Não se pode viver no medo, Rafaela.

-Obrigada... anjo.

-E por mais que não me veja, estarei sempre aqui com você.

E ele desapareceu. Olhei novamente para a Lua e sorri. De hoje em diante, a minha vida seria completamente diferente!


Se copiar a estória, não esqueça de citar a autora (Lívia)!

2 comentários:

Mey disse...

Lii, você captou a essência. Muito bom! Não é fácil se recuperar de um trauma, mas esse anjo está certo, devemos enfrentar nossos medos!

Lii disse...

Acho que se você viver no medo, então você não estará vivendo de verdade.
O medo faz parte da vida, assim como a insegurança, a dor, o amor e a felicidade. É a junção de tudo que faz com que sejamos nós mesmos, e é também o que nos faz fortes.
Todos nós temos traumas, alguns piores do que outros, mas por mais que leve algum tempo, precisamos encará-los em algum momento para continuarmos a viver...